09 e 10 de Novembro | Lisboa.
Iniciativa realizada no âmbito do projecto Fotografia Impressa. Imagem e Propaganda em Portugal (1934-1974), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que tem como objectivo identificar, analisar e discutir a imagem fotográfica impressa produzida como instrumento de propaganda pelo Estado Novo português no período entre 1934 e o fim do regime em 25 de Abril de 1974.A produção de suportes visuais gráficos e imagéticos, seja na configuração de livros, revistas, guias turísticos, álbuns ou foto-livros, ocupa desde inícios do século XX um importante lugar no mundo dos projectos editoriais. É, pois, pertinente investigar as práticas de produção destes artefactos visuais e textuais onde os processos de desenho, gravura, aguarela, pintura ou fotografia convergem em inovadoras estratégias editoriais e formas dinâmicas modernas, com o objectivo de captar novos leitores.

Em Portugal, diversos projectos editoriais nascem com a República, como a revista Orpheu (1915) ou o Portugal Futurista (1917). A emergência do experimentalismo gráfico e a necessidade cada vez maior de informar através de imagens coincidem com novas formas de publicidade artística, abrindo novas relações entre o texto e a imagem. A revista Ilustração Portuguesa, iniciada em 1906, deu um protagonismo ímpar à fotografia. Os anos 20 vêem aparecer os magazines. Surgem as revistas de moda feminina, como a Voga (1927) e a Eva (1925-1989). Na nova sociedade de massas dos anos 30 o Notícias Ilustrado (1928-1935) é a primeira revista a ser impressa em rotogravura.

Entretanto, ao serviço da propaganda do regime, as edições do Secretariado de Propaganda Nacional de António Ferro deixar-nos-iam inúmeros exemplos de projectos editoriais entre revistas, como a Panorama, Revista de Arte e Turismo (1941-1974) ou a revista de propaganda colonial Mundo Português (1934-1947), ou álbuns fotográficos, como Portugal 1934 e Portugal 1940; e ainda livros, guias ou catálogos de exposições. Nas décadas seguintes são exemplos das potencialidades gráficas desses anos a revista Almanaque (1959-1961) ouUm País que importa conhecer (1972).

Simultaneamente à propaganda feita pelo regime, a censura férrea impunha graves limitações à liberdade de expressão. Apesar disso, nascem notáveis projectos editoriais no campo das contra-imagens e dos contra-discursos sendo um dos primeiros As Mulheres do meu País (1948), obra da escritora feminista Maria Lamas; e, na década seguinte, o foto-livro de Costa Martins e Vitor Palla, Lisboa, Cidade Triste e Alegre (1958).Este Colóquio pretende discutir a importância dos projectos editoriais nas suas várias vertentes conceptuais e práticas. Como objectos de mediação entre os autores/artistas /designers gráficos e o seu público, importa estudar estas publicações, averiguando de que forma elas são afectadas pela ideologia e pelo poder político e de que modo são capazes de criar discursos próprios para responder aos seus objectivos comunicacionais. Assim, o Colóquio tem por intenção analisar as estratégias gráficas e discursivas desenvolvidas na transmissão de um dado conteúdo, no que diz respeito ao design gráfico, às escolhas visuais e suas tipologias (desenho, fotografia, ou outras formas de representação e de experimentação imagética, como a fotomontagem e as imagens híbridas), assim como às opções tipográficas, à relação texto-imagem, à estrutura da narrativa visual e aos processos de produção.

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