«Património. Subscritores exigem intervenção do Estado.

 Profissionais das áreas do património, museologia e história da arte, criação plástica e design, entre os quais Raquel Henriques da Silva, Joana Vasconcelos, Henrique Cayatte e Bárbara Coutinho, estão a apelar, em carta aberta, a uma intervenção do Estado para que a Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, nas Caldas de Rainha, seja salva de um futuro incerto. Alegando quebra de encomendas, os actuais accionistas, recorde-se, anunciaram já despedimentos e o encerramento da fábrica, herdeira da que Rafael Bordalo Pinheiro e seu irmão Feliciano ali criaram, em 1884.

No documento, alojado online em www.petitiononline.com/Bordalo/petition.html e ontem já assinado por mais de 300 pessoas, os autores exortam o primeiro-ministro, José Sócrates, a intervir no sentido de salvaguardar a integridade do espólio do artista ainda existente na empresa – caso de “moldes, desenhos e peças originais” – e o “saber especializado de quantos nela trabalham”, saber esse “fundamental na formação de futuras gerações”.

Considerando que a defesa deste património constitui um imperativo de consciência perante a memória de “um artista que, desde finais do século XIX, integra o imaginário nacional”, os subscritores lembram que é justamente nesse legado que reside a “matriz de uma nova estratégia de qualidade e afirmação da marca”. O reforço da sua “inventariação, estudo, preservação e divulgação” e o envolvimento de “nomes prestigiados e novos valores da arte e do design” no relançamento da produção são algumas das medidas avançadas no documento.»

In Diário de Notícias
Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

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